Sunday, April 23, 2006

 

De que adianta ser open source se não colabora???

Eu sempre comentei isso, especialmente com o Kiko Qual a razão de se ter tão poucos programadores open source no Brasil? Fragilidade na formação? Barreira da lingua?

Outro ponto que eu sempre me batia, especialmente com as pessoas que trabalham com open source, são defensoras ardorosas do open source e são ligadas a computação. Qual a contribuição em código que elas fazem? Já removeram algum bug? Já implementaram alguma coisa nova?

Quando este pessoal pega uma distro Linux e instala na máquina de alguem, se repete a mesma relação consumidor/produtor que existe entre o usuário leigo e a MS. Com um agravante. Teoricamente este cara de computação que é um simples usuário do open source sem se preocupar com o entendimento do código fonte e a melhoria dele, muitas vezes está na mesma situação do cara que tem uma biblioteca a disposição em casa e prefere ficar passivamente vendo TV. Ele pode mudar o nível dele de entendimento, contribuir de forma efetiva e não o faz. Prefere ficar como usuário e propagando para o mundo que usa open source e suas benesses como a clássica, que qualquer pessoa pode modificar o código, apesar dele mesmo nunca ter feito.

Dito isso encontrei este texto. O texto já abre de forma enfática: "Open source software and development can push governments of developing nations ahead in the world, but only if they participate as producers of the technology themselves" Alguns pontos. 70% a 80% do uso de open source está em países em desenvolvimento, porém somente 2% das comunidades de desenvolvedores vem destes países. Em outro trecho do texto você encontra a declaração "We're trying to train people so they can become producers, not just consumers."

O texto levanta a possibilidade de alguns diagnósticos para a baixa participação no mundo open source dos programadores dos países em desenvolvimento. Um deles é falta de tempo, pois o pessoal tem que trabalhar muito mais para se manter e o outro ponto é a falta de educação.
Minha experiência própria. Na hora que os desenvolvedores são expostos ao bons projetos do mundo open source, automaticamente o nível dele como profissional aumenta de uma forma significativa. Nestes projetos ele tem a chance de conviver com desenvolvedores dos principais centros de referência do mundo com pessoas oriundas de faculdades top 50 em computação. Isso muda o nível do jogo para o desenvolvedor e muitas vezes a forma dele encarar o mundo.




Comments:
Concordo completamente com teu artigo. Espero que ele chegue nas listas de discussão e irc da molecada xarope.
 
Bem, você queria ouvir a minha opinião, então aqui vai. Acho que existe a questão da língua, a questão tecnológica, a questão do tempo, mas principalmente a questão de que a maioria não sabe por onde começar.

E quando digo isso, me refiro não só a não saber por qual projeto começar, mas também em como fazer para ingressar neles. Talvez pelo fato do mundo open-source se basear fortemente no conceito da meritocracia, muitos projetos não possuem nenhuma tipo de estrutura de auxílio a novos desenvolvedores.

Então, o cara se depara com o problema da língua (porque para se tornar um desenvolvedor em um projeto estrangeiro, você precisa entrar num lista de discussão e participar de reuniões virtuais falando no mínimo inglês), com a diferença de nível tecnológico, com a falta de experiência no conceito como um todo de trabalhar dando commits em pedaços de código sem alguém lhe dizendo o que e como fazer, com a falta de estrutura de muitos projetos para auxiliá-lo no começo e com a própria correria da vida por aqui. Isso realmente desestimula muita gente.

Aí você me pergunta, mas e os projetos nacionais? Por que o cara que não fala uma língua estrangeira não ingressa num projeto nacional? Porque os projetos nacionais tem menos visibilidade, mesmo dentro do Brasil, e muitas vezes, apenas pequenos grupos sabem da sua existência. E por experiência própria, eu lhe digo que somos melhores em conversar do que fazer. É difícil encontrar gente que queria ultrapassar a esfera das palavras e depois fazer essas pessoas chegarem a um concenso sobre a parte filosófica/técnica da coisa.

Com isso não estou dizendo que seja impossível fazer open-source por aqui, longe disso. Conheço desenvolvedores baianos envolvidos com projetos como o Debian e o Gnome, assim como conheço projetos nacionais que deram certo.

Um dia você me perguntou qual era a da comunidade de software livre da Bahia, porque o pessoal conversava muito, mas não desenvolvia código. Eu já passei por esse mesmo questionamento e, primeiro com descrensa, e depois com um melhor entendimento eu compreendi o porquê dessa postura. Quem quer desenvolver código pode fazer isso independemente, tem milhares de projetos onde a pessoa pode ingressar sem depender do PSL.

A maioria dos integrantes ativos do PSL-BA (que são poucos, já que o trabalho é voluntário e não remunerado) é bastante ocupada em diversas atividades. Se esse grupo, que é uma parcela pequena se concetrasse também em desenvolvimento vinculado ao PSL, isso comprometeria as outras atividades (treinamentos, suporte a projetos de cunho social, palestras de difusão ideológica e orgaização de eventos) além de desencorajar a entrada de pessoas que não fossem da área de computação.

Ao invés disso, a opção foi criar um grupo de trabalho de auxílio a formação de novos desenvolvedores. Esse grupo congrega pessoas que já estão engajadas com projetos open-source ou que tenham experiência na área de desenvolvimento. São feitas palestras sobre linguagens de programação e ferramentas, tutoriais, hacklabs e etc. na tentativa de orientar as pessoas que não sabem por onde começar. Se isso é o correto ou se é o suficiente eu ainda não sei, mas é o que pode ser feito no momento. O resto fica a cargo de cada um.

Quanto ao que você disse sobre o open source não servir para mudar a realidade tecnológica de ninguém se não houver um engajamento de fato no denselvolvimento de tecnologia, não há o que se discutir. Só espero que as pessoas acordem do oba-oba e enxerguem que open source está muito além da idéia errada do software de graça e começem a explorar o seu verdadeiro potencial.
 
Helton,

Alguns comentários. Não saber por onde começar não é um problema que ocorre em qualquer lugar do mundo? Porque aqui no Brasil precisaria de uma tutoria diferente para esta inserção no mundo open source?

Não me importo com projetos brasileiros, acho que o jogo é mundial neste ponto.
 
Camilo,

Os projetos de auxílio a novos desenvolvedores não são uma exclusividade do Brasil. Projetos como o Gentoo possuem times voltados apenas pra isso (com tutores de diversas partes do mundo). O fato do código ser aberto não torna mais simples de entender e o modelo de trabalho usado pelo open-source não é mainstream no mundo de tecnologia. Além disso, eu não disse que a falta de tutores impedia o surgimento de novos desenvolvedores, mas que a existência deles poderia facilitar esse processo.

Os grandes projetos de FOSS estão aos poucos acordando para o fato de que à medida que eles vão se tornando maiores e mais complexos, mais dificil vai ficando para novos e inexperientes colaboradores ingressarem. Nesse caso, o grau de complexidade não é um impedimento, mas sim um fator de desestímulo. Então esses projetos tem criados times de apoio aos novos desenvolvedores ou eventos em que desenvolvedores mais experientes possam orientar novos desevolvedores, como é do Gnome bug day.
 
Helton,

Ok sobre a tutoria do Gentoo.
Vamos divulgar o Google Summer of Code. Vamos ver se conseguirmos colocar mais algum brasileiro nele. Você já escolheu o seu projeto?

camilo
 
Quem disse que brasileiro não colabora? Não é a tôa que no Brasil há um repositório próprio para projetos open source, o CódigoLivre. Não é a tôa que um dos mantenedores do kernel do Linux é brasileiro. Não é a tôa que um dos maiores eventos sobre software livre acontece no Rio Grande do Sul. Queria saber de onde você tirou esse dado estatístico (poucos desenvolvedores)...
 
pilgerowski,

Brasileiros colaboram no projeto open source. Ter um brasileiro como mantenedor do kernel, é somente um ponto fora da curva. O que me importa são os grandes números. Por exemplo, são 11 brasileiros na lista de contribuidores do kernel do linux no meio de algo em torno de 600 contribuidores no mundo. Isso vai dar 1.8% que é próximo ao número de desenvolvedores de países em desenvolvimento de projetos open source mencionado no texto que eu linkei no post.
 
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