Saturday, April 01, 2006

 

Um modelo para P&D cooperativo entre competidores

Acabei de ler o paper que mencionei no post abaixo.
A Model of Cooperative R&D Among Competitors.
O Cusumano neste paper cria um modelo de P&D cooperativo baseado em teoria dos jogos. Depois realiza uma série de análises e chega a algumas proposições baseadas neste modelo.
Ele realiza algumas considerações empiricas observando o P&D cooperativo no Japão e nos Estados Unidos. Ele comenta o sucesso constante do P&D cooperativo no Japão voltado a pesquisa aplicada. Analisando os dados que ele apresenta no paper, você chega a outra conclusão: É mais fácil fazer P&D cooperativo em hardware do que em software. A minha conclusão em relação a esta observação está relacionado com a condição de apropriação do resultado do P&D em hardware que é maior que software.
Ele considera, neste paper, que o resultado da pesquisa resulta na diminuição do custo de produção para as empresas participantes do projeto de pesquisa e que somente existe um vencedor neste processo. Ou uma firma realizando o P&D individualmente, ou um conjunto de firmas realizando o P&D cooperado.
Algumas das proposições são:

1) Mantendo as outras variáveis constantes, uma companhia vai preferir cooperar em uma pesquisa no qual a complementariedade de habilidades e recursos entre os parceiros seja alta.
2) Mantendo as outras variáveis constantes, companhias vão preferir cooperar se o custo do P&D for alto.
3) Mantendo as outras variáveis constantes, quanto menor a participação de uma companhia no custo total do projeto de P&D, maior a probabilidade de ele cooperar na pesquisa.
3.1) Quanto maior o subsidio governamental em um projeto de P&D, maior a probabilidade de cooperação.
4) Quanto maior a participação da companhia no retorno de royalties, maior a probabilidade de cooperação.
5) Caso a contribuição da firma no projeto seja maior que a média dos seus pares, quanto menor o custo financeiro da participação, maior a probabilidade da participação.
6) Mantendo as outras variáveis constantes, uma companhia sempre vai preferir parceiros menores.
7) Na falta de uma complementariedade significtiva de habilidades e recursos, companhias irão preferir cooperar em áreas de pesquisa em que os benefícios esperados sejam pequenos ou que a tecnologia seja menos apropriável (pesquisa básica). No caso das complementariedades sejam significativas, as companhias preferirão trabalhar em áreas em que o benefício sejam altos ou altamente apropriáveis(pesquisa aplicada). (considero que o caso de tecnologia menos apropriável seja aplicável a software/os casos de sucesso de pesquisa cooperada no japão, quase sempre se baseiam em pesquisas aplicadas)
8) Considerando que a participação individual das companhias aumente de forma significativa a probabilidade de sucesso do P&D e se a maioria ou todas as companhias participarem do projeto cooperativo, é possível que elas desejem retardar o processo de inovação no caso de indústrias com demandas inelásticas. Na prática isso já ocorreu em 69 quando o departamento de justiça americano proibiu a colaboração das 4 maiores fabricantes de automóvel de desenvolverem conjuntamente equipamentos para redução de controle de poluentes. A proibição decorreu do medo do departamento de justiça que estas empresas retardassem deliberadamente a introdução desta inovação.

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